FILOSOFIA da STOA
As Teses de Zenão e Cleanthes
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A Coletânea de Pearson (3)

A tese da predicação incorporal não é mencionada por Dióg. Laércios (no parag. VII. 51, apenas as “representações incorporais”, cf. adiante), e não está presente na seção a respeito de Crísipos. [12] E também não se encontra nos fragmentos disponíveis do gramático Diógenes da Babilônia e daqueles que a ele se seguem no vol. III de von Arnim.

Em dois parágrafos que se seguem àquele registrado por Pearson em [Z. 24], Stobeos menciona Possidônios, em consonância com Crísipos, na concepção de que a predicação que resulta da causa seria “não existente e nem um corpo”... esta por sua vez seria a versão de Crísipos para a “predicação que resulta da causa” de Zenão, segundo Stobeos. [13]

E o romano Sêneca (séc. I dC), que está mais próximo das leituras de Possidônios, nas Epístolas a seu amigo Lucillius, se esmera em caracterizar a sutil diferença entre designar alguém ou algo material, ou “falar acerca de”, como um “movimento do pensamento”.

A coleção dos fragmentos que definem o lektôn incorporal é praticamente um conteúdo histórico “dos Estóicos”, preservado em suas menções mais significativas pelo pirrônico Sextos Empíricos (final séc. II dC), ele por certo muito interessado nos malabarismos megáricos que fizeram a fama de Crísipos. Além de Sextos, seu contemporâneo, o pagão convertido bispo Clemente de Alexandria, e Stobeos (séc. V) deixaram alguns comentários a respeito. [14] [15] [16]

 

notas

[12] A idéia do “incorporal” não figura na lista interrompida dos títulos de Crísipos, o que por sua vez nada permite concluir: com cerca de 160 títulos, deve ser apenas parte inicial da coleção de 705 livros de Crísipos mencionada por D. Laércios. No material apresentado pelo descuidado compilador Laércios (início séc. III) as novas contribuições crisipianas não parecem estar presentes, apenas aquelas que reforçam a tradição. Ele pode ter tido acesso aos manuais mais antigos da Stoa; ou mais recentes, sob a influência de Possidônios de Rhodes (135-51 aC). Segundo Long (p. 117), o manual de Arios Didimos (final séc. I aC) seria uma referência para a parte ética.

[13] [Stobeos, I. 13. 1] [L&S 55. A] [Arnim, II. 336]. (Com uma interpolação de Wachsmuth no original, na sentença em que Crísipos nega corporalidade e existência a estas predicações). Daí a conclusão de Pearson: “a questão da [realidade] dos lektá... não se apresentou à mente de Zenão”.

[14] Em Arnim, os parágrafos II. 85, 132, 166, 167, 331, que mencionam o lektôn assomâton, e o 341 (assomatous kategorêmatos), são sempre citações dos “estóicos”, nunca especificados, e todas elas de Sextos Empíricos. O parág. II. 363 é o [Ad. Math. VIII. 263]: “for the incorporeal, according to [the stoics], is not of a nature to do anything or to be affected” [Bett, II. 263]. Os parágs. Ad. Math. VIII. 262 e 264 que tratam do lektôn não estão na coletânea.

O parág. D.L. VII. 43 com o termo lektôn, igualmente não figura na coletânea de Arnim. Para o [43] L&S traduzem: “derivatively subsistent sayables” [31. A].

O parág. II. 87 em Arnim é o [D.L. VII. 53]: “things also conceived by transition, such as sayables and place” [L&S 39. D]. L&S traduzem ainda o [VII. 63]: “a sayable is what subsists in acc. with a rational impression.” [33. F]. Em todos esses, somente “os estóicos”.

O parág. D.L. VII. 57, que abre o cap. 33 [Sayables (lekta)] em Long&Sedley, está incluído em S.V.F. [vol. III] no frag. 20 de Diógenes da Babilônia. As várias soluções dos tradutores para a distinção entre lêksis / logos / lektôn(lektá) evidenciam uma distinção difícil destes termos que provém do texto de Laércios. Lêksis [fala, voz, dicção, discurso, expressão] é diferente da simples locução sonora [soné] por ser articulada; e o logos [linguagem, etc] difere da lêksis por ser expressão ou discurso significativo; mas é significativo na medida em que fala das coisas, isto é, daquelas que participam dos lektá: “que podem ser ditas”; “are matters of discourse”; “are actually sayables”.

Em todas as passagens de Arnim (cf. Index, vol. IV) que encontramos para assômatos (substantivo o incorpóreo; pl. assômata) (e modos declinados: o subs. reverte para a condição adjetiva, atributiva), somente o [II. 503] é citação direta de Crísipos [Stobeos: “assomâtos apeiron”]. Duas [vol. I] são relativas a Zenão e Cleanthes. Uma citação no vol. III é a sentença negativa de Basilides sobre os incorporais. Todas as outras são indistintamente devidas aos “estóicos”.

A silogística redundante e confusa de Simplicius: “as qualidades dos corpos” [somâton] “são corpóreas” [somatikás], “e dos incorpóreos” [assomâton] “incorporais” [assomâtous] [II. 388, 389] [L&S 28. L], sugere que uma flutuação do termo entre substantivo e adjetivo seria intencional, no esforço lógico em definir a categoria universal dos incorporais-incorpóreos...

[15] Assim como em Diog. Laércios, podemos encontrar em Cicero (séc. I aC), em Plutarco (séc. I dC), no eminente médico Galeno (séc. II), e nos bizantinos Proclus (séc. V) e Simplicius (séc. VI), menções à noção de incorpóreo como parte da física, sobre as qualificações da alma, do tempo, do espaço, etc.

Alexandre de Afrodísias (aristotélico, sec. II dC) discute a impropriedade dos estóicos em dividir os universais em existentes (corpos) e subsistentes (incorporais). [L&S 27. B; 30. D] [Arnim, II. 329]. E Ammonius, platônico comentador de Aristóteles do séc. V/VI resume com clareza:

Here Aristotle tells us what it is that [noums and verbs] primarily and immediately signify: his answer is “thoughts”, but through these as intermediate, “things”; and it is not necessary to conceive of anything else additional to them, intermediate between the thought and the thing, which the stoics postulated and decided to name a [“lektôn”]. [L&S 33. N]

[16] O surgimento de diversas concepções sobre frases ou sentidos incorporais pode ser resultado de um desenvolvimento comum entre megáricos, da escola de Diodoros e Philo, discípulos do socrático Arcesilaos, e Crísipos. Depois de uma fase de controvérsias, todos poderiam ter assumido um patrimônio lógico comum.

Não seria justo se formar os juízos sobre a produção filosófica da Stoa a partir de críticos como Sex. Empíricos e Plutarco, ou compiladores como Clem. de Alexandria e Diog. Laércios, que escrevem com pouco rigor, não como estudantes de filosofia. Na razão inversa estão Cicero, Sêneca, Alex. Afrodísias, Stobeos – levando-se em conta ainda os séculos de afastamento dos originais.